Protegendo quem Trabalha com Eletricidade

 

Fonte: Environmental Health & Safety Magazine.

Os trabalhadores da área elétrica enfrentam constantemente riscos de incidentes de arco elétrico durante suas operações diárias pela própria natureza de seu trabalho. A vestimenta corretamente especificada oferece proteção, previne lesões e salva a vida do trabalhador.
Quando os incidentes de arco elétrico ocorrem, os ferimentos mais graves geralmente são resultado da utilização de roupas não-resistentes a chama que entram em ignição, se inflamam e continuam a sua combustão até sua queima total, causando queimaduras muito mais graves do que o próprio efeito do arco elétrico em si. O uso de vestimenta com sua apropriada classificação de arco elétrico (AR) apresenta uma longa história de proteção aos trabalhadores e salvamento de suas vidas no Brasil e em mercados mais maduros como nos EUA.
Vamos examinar as três situações que são as causas mais comuns de um evento de arco elétrico:

1. Trabalho energizado que deveria ter sido desenergizado previamente;

2. Lapso ou falha humana;

3. Manutenção precária do equipamento

1. Trabalho Energizado

A NFPA 70E indica a desenergização prévia dos equipamentos para os trabalhadores atuarem com maior segurança, e quando realmente não for possível, utilizar uma autorização para trabalho em local energizado para documentar se o trabalho pode ser realizado com segurança mesmo com o equipamento energizado.

O trabalho energizado só deve ser feito quando a desenergização for considerada inviável com base no projeto do equipamento e nas limitações operacionais, ou quando o trabalho desenergizado cria riscos adicionais. Por exemplo, nos hospitais, a remoção da energia para conduzir o trabalho elétrico criaria uma situação adversa para os pacientes.

Trabalhos realizados em equipamentos energizados são vistos muitas vezes em situações de pressão por tempo em realizar a tarefa ou em situações em que o trabalhador acredita que ele tem muita experiência para operar em equipamentos energizados.

Precisamos ressaltar que a decisão de se trabalhar com o equipamento energizado pode causar lesões, invalidez ou mesmo a morte do trabalhador.

2. Lapso ou falha humana

O lapso ou a falha humana envolvendo eletricidade é outra causa de incidentes de arco elétrico catastróficos. A falha em verificar ausência de tensão, utilização de equipamento de teste incorreto, excesso de confiança, complacência e comunicação deficiente de colegas de trabalho e falta de procedimentos de bloqueio e ou de sinalização têm sido causas básicas de incidentes de arco elétrico.

A comunicação inadequada com a central de operações pode permitir que o sistema seja reenergizado posteriormente. Ou, alguns alimentadores podem ser desconectados, mas alimentadores adicionais podem estar ocultos ou não óbvios devido ao design do equipamento e ou do sistema como um todo.

Alguns trabalhadores e empregadores alegam que não precisam de equipamentos de proteção individual (EPI), incluindo as vestimentas, pois desenergizam todos os seus equipamentos, eliminando o risco. Essa linha de pensamento é errônea.

O procedimento de desenergização do equipamento é considerado um trabalho energizado e requer EPIs contra arco elétrico e fogo repentino. Você deve verificar com um medidor de voltagem se há de fato uma falta de voltagem e nunca remover o EPI.

3. Manutenção Precária dos Equipamentos

Todo o equipamento deve ter uma rotina de manutenção periódica. No entanto, em circunstâncias de corte de custos, a manutenção é ignorada ou feita incorretamente, comprometendo a segurança de longo prazo do sistema.

A falta de limpeza e manutenção provoca corrosão, o que leva ao aumento da resistência e do calor indesejado. Este é o principal culpado pelo colapso do sistema elétrico e pelas possíveis causas de eventos de arco elétrico.

Equipamentos quando não operados e mantidos adequadamente, podem falhar inesperadamente causando acidentes. O arco elétrico acontece devido aos danos da falta de manutenção nos equipamentos e suas propriedades, causando lesões nos trabalhadores que interagem com o equipamento ou mesmos o que estão ao redor dele.

Regulamentos da Indústria e Normas de Consenso

OSHA, NESC, NFPA e o padrão NFPA 70E determinam o uso de vestimentas de proteção com classificação AR/FR para práticas elétricas seguras no local de trabalho.

Os regulamentos da OSHA estabelecem que as empresas devem priorizar a segurança e fornecer um local de trabalho livre de riscos reconhecidos que possam causar danos. Os regulamentos fornecem as seguintes etapas ​​para as organizações:

  1. Realizar uma avaliação de risco do local de trabalho;
  2. Fornecer proteção adequada, como EPIs, para riscos identificados
  3. Capacitar os trabalhadores sobre os perigos presentes e o uso de EPIs para criar um ambiente de trabalho mais seguro.

Esses fatores, bem como as Normas Regulamentadoras e os padrões da indústria relacionados à segurança em eletricidade, demonstram a necessidade contínua de trabalhadores envolvidos com eletricidade se protegerem diariamente contra um incidente de arco elétrico

Solução: Uso Diário de Vestimentas Antichama

Ninguém planeja que irá ocorrer um incidente de arco elétrico, portanto o correto é se preparar para os perigos que ele apresenta.

Criar um local de trabalho seguro significa permitir o tempo de inatividade necessário para desenergizar o equipamento para manuseio seguro apesar do inconveniente para as operações. Isso também significa fornecer aos trabalhadores vestimentas com proteção contra arco elétrico e fogo repentino adequadas.

Quando os trabalhadores envolvidos com eletricidade sofrem um incidente de arco elétrico, não é o próprio arco elétrico que causa queimaduras significativas, mas a continuidade da chama alimentada pelas roupas sem proteção antichama, que assim, aumentam a extensão da lesão. Vestimentas com tecnologia AR e FR desempenham dois papéis principais na proteção de trabalhadores envolvidos com eletricidade contra queimaduras:

1. Auto extinção para mitigar a queimadura quando a fonte de ignição é removida;

2. Isolamento para reduzir a probabilidade de queimaduras de segundo grau.

Para as tarefas que pedem EPIs de categoria 2, a solução mais simples e eficaz é a utilização diária de vestimentas com classificação adequada ao arco elétrico. Este procedimento remove o trabalho de adivinhação de determinar se uma tarefa exige vestimentas antichama. O uso diário de vestimentas antichama também elimina as preocupações de segurança do empregador de que os funcionários não estejam usando as vestimentas adequadas para cada tarefa. Para tarefas de alta energia (Categorias de EPI 3 e 4), a etapa extra de usar EPIs apropriados é comum, devido aos altos requisitos de classificação de arco do EPI.

Alinhando a Vestimenta AR e FR com os Tipos de Risco

A NESC exige que as operadoras e concessionárias de energia avaliem os riscos das atividades executadas em equipamentos energizados. Se a energia presente exceder 2 cal/cm2, os trabalhadores devem usar vestimentas antichama com uma classificação de arco igual ou maior do que a energia incidente do equipamento com o qual trabalham.

Para cumprir a NFPA 70E, os empregadores também são obrigados a executar uma avaliação de risco de arco elétrico para determinar o nível de energia incidente potencial do perigo e o limite de aproximação em relação a proteção ao arco elétrico, ou a área total em que o perigo existe. Quando necessário, devem usar vestimenta de proteção que atenda à norma ASTM F1506, sobre as especificações de desempenho mínimo para vestimenta de proteção para trabalhadores expostos ao risco de arco elétrico.

Para antecipar os níveis de energia, a NFPA 70E denota dois principais esquemas de análise de energia incidente: método de cálculo e o método de tabela. É importante notar que esses procedimentos não podem ser combinados no mesmo equipamento.

Para o método de cálculo, as potenciais energias incidentes de vários equipamentos são calculadas usando fórmulas e ou softwares comercialmente disponíveis. A dificuldade do método de cálculo é relativa à complexidade do sistema elétrico. O método da tabela caracteriza os sistemas de vestimenta AR/FR pelas categorias de EPI. Na tabela, a norma NFPA 70E lista as peças típicas do equipamento, suas condições operacionais e a categoria de EPI necessária para cada nível de energia.

Especificar o Tecido

Assim que a energia incidente e a classificação do arco elétrico forem determinados, você poderá avançar na seleção da melhor vestimenta com classificação AR/FR.

Comece por selecionar o tecido primeiro: é importante entender o fabricante do tecido antichama, história, experiência, linha de produtos, competências e procurar por marcas que forneçam o conforto e o desempenho que atendam às necessidades de seu local e tarefas de trabalho.

O uso diário de vestimentas AR/FR também deve ser o mais confortável possível para o trabalhador. Realize um teste de desgaste de várias peças de vestimentas para avaliar o movimento e transpirabilidade e garantir que os trabalhadores possam executar suas atividades de forma eficaz e confortável.

As condições externas de trabalho devem ser consideradas. As necessidades de tecidos ou sistemas de camadas de tecidos em diversos climas podem ser diferentes, como produtos térmicos para climas frios e construções leves de camada única para condições quentes e úmidas.

Os incidentes de arco elétrico são inesperados e perigosos, e podem ocorrer durante vários pontos da rotina diária dos trabalhadores da indústria elétrica. Ao usar vestimentas AR/FR, os trabalhadores podem se equipar para realizar seus trabalhos de maneira segura, eficiente e confortável, e tudo contribuirá para a concentração em suas tarefa mais importante: fazer o trabalho certo e voltar para casa em segurança

Fonte: Environmental Health & Safety Magazine.

 

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