
Se você acompanhou nosso primeiro artigo desse mês, vamos juntos dar continuidade explorando os aspectos fundamentais de uma especificação técnica robusta e eficaz!
Certificações – exigências legais e outras fundamentais
Existem dois grupos principais de ensaios relacionados aos efeitos térmicos de Arco Elétrico e Fogo Repentino:
Conjunto Norte-americano
- Arco Elétrico: ASTM F1506
- Fogo Repentino: NFPA 2112
Conjunto internacional
- Arco Elétrico: IEC 61482-2 F
- ogo Repentino: ISO 11612 (No Brasil: ABNT NBR 16623)
Como já discutimos, estas normas têm grande similaridade de requisitos e sua origem é praticamente única. Desta forma, conhecendo a fundo as normas de base teremos grande conhecimento de todas as demais diretrizes técnicas.
Outras certificações fundamentais na atualidade, que vão alinhar a sua Especificação Técnica com compromissos reais com qualidade, meio ambiente e sociedade e investimento tecnológico real, são: ISO 9001, ISO 14000, o Selo ABVTEX, e OEKO -TEX®, que representa um compromisso com a segurança química e a sustentabilidade têxtil.
Tópicos que não estão nas normas – mas que são chave para sua Especificação Técnica!
Nem todos os pontos essenciais de uma especificação técnica estão descritos diretamente nas normas. Isso ocorre porque muitas decisões dependem de fatores específicos do ambiente de trabalho, do tipo de atividade executada e das condições reais de exposição, que não podem ser contemplados de forma genérica pelas legislações e pelos documentos técnicos internacionais.
Por esse motivo, é fundamental contar com capacitação técnica adequada para definir corretamente esses requisitos. A seguir, apresentamos alguns critérios básicos que ajudam a orientar esse processo de especificação.
Esses são apenas alguns exemplos essenciais para garantir o compromisso com a qualidade assegurada que sua vestimenta de proteção térmica oferecerá para a implementação da sua ET. No entanto, é importante destacar que os requisitos podem ser ajustados às necessidades específicas da sua organização, assim como diferentes aspectos das etapas de produção e entrega técnica das vestimentas.
Um exemplo de estudo de caso – Conformidade Documental x Segurança Sistêmica
Um desafio da Especificação Técnica é a inclusão de detalhes dos componentes que formam o EPI do tipo vestimenta. Uma questão bastante discutida pelos usuários é a sobreposição de EPIs, e um caso clássico é o uso de Jaquetas sobre a vestimenta de proteção térmica em trabalhos sob tensão.
É evidente que essa sobreposição deve possuir propriedades de resistência ao calor e chamas, ou melhor, aos efeitos térmicos das fontes de perigo. Mesmo que seu propósito seja o conforto e proteção contra o frio durante o dia de trabalho, a Jaqueta deve possuir certificação contra efeitos térmicos de arcos elétricos para uso em atividades sob tensão.
A especificação no caso aqui apresentado, previa essa certificação da peça de vestuário de sobreposição, mas não entrava em detalhes dos componentes e suas certificações individuais, e nem atentava para a construção (projeto da vestimenta) em seus detalhes. No entanto a ET trazia uma cláusula de auditoria de recebimento, prevendo condições reais de utilização, a ser realizada em laboratório de terceira parte.
O Incidente:
Durante o ensaio de arco elétrico para a auditoria do conjunto Jaqueta sobre vestimenta de proteção térmica, o manequim foi posicionado frontalmente (como no procedimento de certificação), e também lateralmente em relação ao arco elétrico, uma postura comum em intervenções em painéis elétricos.
Com o manequim posicionado lateralmente a jaqueta sofreu o rompimento da sua camada externa de tecido. Embora o tecido externo fosse de proteção térmica aos efeitos do arco elétrico, o design da peça apresentava uma vulnerabilidade crítica, que resultou nas seguintes observações:
- O rompimento externo expôs o material de enchimento (isolamento térmico) entre as camadas.
- Este preenchimento não possuía a mesma resistência térmica que os tecidos principais*. Ao receber o calor ele entrou em ignição instantânea.
- O fogo interno deteriorou a camada têxtil mais interna (que deveria ser a última barreira) e transferiu calor por condução para a vestimenta de proteção por baixo da jaqueta, que também se incendiou.
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Obviamente uma falha que não teria sido observado na certificação do produto, já que para esse processo somente a exposição frontal ao arco elétrico é considerada, e o uso de materiais distintos pode, a depender da energia e distância, ser mascarada no processo.
As Lições da Auditoria: O que faltou na ET?
Este caso demonstra que uma Especificação Técnica robusta deve ir muito além da exigência da certificação, devendo levar em conta todos os materiais componentes em todo o volume da vestimenta de proteção térmica. A manta térmica, por exemplo, se possuísse características de proteção térmica ao arco elétrico, não teria comprometido o EPI. No entanto, o emprego de materiais distintos na parte frontal e costas, não poderia ter sido aceito no processo de certificação.
- Especificação de Componentes Ocultos: Todo e qualquer material das camadas internas (enchimentos, espumas, entretelas) deve obrigatoriamente apresentar proteção térmica compatível com as camadas externas. Não basta especificar o tecido; deve-se especificar o sistema.
- Auditoria Dinâmica: A ET deve prever a realização de ensaios de auditoria em laboratórios independentes, ensaiando ângulos de incidência (como o lateral) que não são exigidos nos ensaios padrão de certificação, mas que ocorrem rotineiramente na operação.
- Integridade Multicamadas: A exigência de que o rompimento da camada externa não resulte na propagação de chama interna ou fusão de materiais sobre a pele.
A segurança não é um estado estático conferido por um CA, mas um processo contínuo. Uma especificação técnica detalhista é a única ferramenta capaz de prever falhas de design que os ensaios laboratoriais simplificados deixam passar.
Conformidade Documental × Segurança Sistêmica
Um dos principais desafios na elaboração de uma Especificação Técnica (ET) de vestimentas de proteção está em definir não apenas os requisitos normativos, mas também os detalhes construtivos e os materiais que compõem toda a vestimenta, inclusive aqueles que não são imediatamente visíveis.
O Problema na Especificação
No caso analisado, a Especificação Técnica exigia corretamente a certificação da jaqueta para proteção térmica e arco elétrico. No entanto, ela apresentava duas lacunas importantes:
- Não detalhava os componentes internos da vestimenta nem exigia certificações individuais desses materiais
- Não estabelecia critérios claros relacionados ao projeto construtivo da jaqueta (design, distribuição de camadas e materiais)
Por outro lado, a ET incluía um ponto extremamente relevante: uma cláusula de auditoria de recebimento, prevendo ensaios em condições reais de uso, a serem realizados em laboratório independente de terceira parte.
Gestão Ativa da Especificação Técnica – Um documento dinâmico
A implementação da Especificação Técnica é apenas o marco zero. Uma gestão de alta performance exige um ciclo de monitoramento implacável: o que foi definido no papel resiste à realidade do campo e às múltiplas lavagens? O feedback operacional, somado a ensaios laboratoriais periódicos, é o que garante que sua barreira de proteção não se torne obsoleta. É essa inteligência compartilhada entre organização e fornecedor que permite ajustes finos, incorporando inovações tecnológicas e refinando a segurança antes que uma falha ocorra.
Neste fechamento, lembre-se do elo mais crítico: o fator humano. De nada serve a fibra mais tecnológica do mundo se o colaborador não compreende o propósito de cada fechamento ou a forma correta de higienização. A capacitação contínua transforma a vestimenta no EPI e não em um simples uniforme. Sua especificação técnica é o corpo do programa, mas o treinamento e a revisão sistemática são o que dão vida e longevidade à proteção do trabalhador.
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