Como a Análise de Riscos Deve Guiar a Especificação Técnica – Parte 1

Por Maria Chies

Especificar a proteção contra efeitos térmicos de arcos elétricos e fogo repentino é, em última análise, assumir um compromisso com a vida de um trabalhador. Quando o acidente acontece, a única barreira entre o trabalhador e a fatalidade é a eficácia da vestimenta de proteção térmica. Esta vestimenta especificada através de uma ET muitas vezes é negligenciada.

Se você sente que sua Especificação Técnica poderia ser mais robusta, ou se as dúvidas surgem na hora de comparar tecnologias de fibras têxteis, este artigo foi feito para você. Vamos elevar juntos o nível desse importante documento.

Primeiros Passos

Toda ET documento deve ter embasamento em legislações, normas e na ausência de recursos oficiais, produções técnicas e publicações científicas, ou artigos técnicos como esse! Então vamos partir dos principais documentos internacionais para elaborar uma especificação técnica na área de proteção térmica: as Normas NFPA e as diretrizes da OSHA.

Você deve estar se perguntado por que esses documentos norte-americanos? A resposta é simples eles são a base da documentação técnica nessa área nos principais países da América Latina. Um fato curioso é que estas normas americanas vem sendo referência inclusive das normativas ISO e IEC. Mas, vamos ao que realmente importa.

Na perspectiva da proteção contra efeitos térmicos de Arcos Elétricos temos a seguintes diretrizes da OSHA e da NFPA 70E:

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Fonte: Appendix E to § 1910.269 – Protection From Flames and Electric Arcs

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NFPA 70E Capítulo 130.5 – Análise de Riscos de Arcos Elétricos

As bases normativas apresentam procedimentos análogos e interconectados, operando de forma complementar. A OSHA estabelece um arcabouço mais abrangente, aplicável a uma ampla diversidade de ambientes de trabalho, enquanto, para aplicações mais específicas no contexto industrial, especialmente aquelas envolvendo sistemas elétricos com tensões de até 15 kV, remete à NFPA 70E. Esta, por sua vez, incorpora de forma indireta outro documento técnico fundamental e de reconhecimento internacional: a IEEE 1584, que serve de base para os métodos de cálculo e avaliação do risco de arco elétrico.

Para o Fogo Repentino temos uma abordagem muito similar, orientada basicamente pela NFPA 2113.

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NFPA 2113 Capítulo 4 – Seleção

Apesar de parecer que a análise de riscos seja muito simples para a seleção de vestimentas para proteção contra o fogo repentino, fatores de risco importantes devem ser levados em conta, como a capacidade e o tempo de atendimento ao trabalhador acidentado, que pode ser um fator de risco associado ao percentual de queimadura corporal!

LEMBRE DISSO – Níveis estabelecidos por norma são parâmetros mínimos de segurança, situações de agravamento podem tornar tais parâmetros inaceitáveis.

Brasil tem suas normas Próprias

No Brasil algumas diretrizes estão particularizadas em normas nacionais da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), é o caso da norma ABNT NBR 17227, recentemente publicada, e que utiliza a NFPA 70E, OSHA, IEEE 1584, entre outras, como referência integral em seu texto (saiba mais aqui). As normas para certificação de vestimentas seguem a normativa IEC para requisitos, IEC 61482-2, também baseada na norma norte-americana ASTM F 1506, referenciada pela NFPA 70E.

Para a área de fogo repentino o Brasil utiliza como base a norma ABNT NBR 16623, que também utiliza vários requisitos referenciados a NFPA 2112, combinados com requisitos de normas ISO, que na verdade possuem algum grau de equivalência. Na seleção, entretanto, não temos uma normativa específica, o que nos faz recorrer a NFPA 2113.

Um fator primordial no Brasil são as Normas Regulamentadoras, então essas devem sempre ser levadas em consideração, o que pode elevar a complexidade do processo de seleção em alguns casos…FIQUE ATENTO!

Desta forma, mesmo com algumas particularidades, tudo está conectado, e as bases técnicas mais robustas são as apresentadas aqui!

Tópicos da Análise de Riscos

Como já comentamos, os tópicos normativos vão orientar o caminho, mas o processo de realização da análise é muito profundo e exigirá muita capacitação e uma equipe comprometida. Nosso check-list pode ajudar você nos primeiros passos desse processo quando falamos dos riscos de arcos elétricos, mas você sempre precisa ir além buscando a capacitação de alto nível, não esqueça disso!

A Westex apoia e desenvolve programas de capacitação dedicados a cada realidade de trabalho, e você e sua organização podem entrar nesse ciclo de conhecimento e desenvolvimento. Fique atento aos nossos canais!

A importância da matéria prima crítica

Alguns aspectos são fundamentais na seleção de uma vestimenta de proteção térmica, seja para proteção contra o fogo repentino ou o arco elétrico, ou mesmo quando as duas proteções estão incorporadas em um mesmo tecido, e ainda, quando mais proteções fazem parte dessa matéria prima crítica. Você sabia que alguns tecidos podem incorporar as mais diversas proteções térmicas e outras adicionais?

Esse aspecto é somente um entre vários outros, e algumas orientações essências abordadas nas normas de referência devem ser observadas. Vamos citar as principais aqui:

  • Capacidade de proteção térmica – esse é um ponto destacado pela OSHA com destaque na resistência à ignição, e que obviamente está incluído nas normativas NFPA, ASTM, IEC, ISO, entre outras;
  • Capacidade de transferência de ar e de umidade – também é destacado nas normas e diretrizes técnicas internacionais e está diretamente relacionado ao conforto, visando sempre um dia de trabalho integral;
  • Manutenção das propriedades protetivas após lavagens e outros tratamentos – fator decisivo quando o requisito é limpeza, particularmente nos ambientes mais desafiadores;
  • Estabilidade Dimensional e Resistência Mecânica – alterações dimensionais podem agravar queimaduras pelo contato e pela dificuldade na remoção da peça de vestuário;
  • Integração de Aviamentos e Design Funcional – todos os componentes não tecidos (linhas, zíperes, botões, velcros e etiquetas) devem possuir o mesmo nível de resistência térmica que o tecido.

E como podemos atestar tudo isso? A resposta é velha conhecida nossa – Ensaios segundo normas técnicas específicas em laboratórios acreditados de terceira parte! Mas um ou dois ensaios não bastam, veremos isso adiante!

Que tal um modelo de partida de Especificação Técnica para um programa de vestimentas de proteção térmica?

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